Era um dia comum e ela caminhava apressada para o trabalho quando mais uma vez viu sua tornozeleira enroscar em sua calça e fazê-la tropeçar. Aquilo já estava ali há tanto tempo que ela nem conseguia se lembrar de quando isso começou. Era cada vez mais incômodo, mas ela estava acostumada. Chegou a querer perguntar uma vez, mas foi desencorajada ao olhar ao redor e perceber que todos tinham uma.

Se fosse só o “enroscar na calça”, era possível resolver, mas a tornozeleira vinha provocando cada vez mais transtornos. Sequelas que apareciam com o tempo e sobre as quais ela não foi informada. Aquilo parecia roubar-lhe a vida pouco a pouco. O que antes parecia dar acesso a lugares desejados, agora representava problema atrás de problema.

Aquele era na verdade um dia incomum. Enquanto se arrumava outra vez, ainda na esperança de não perder o ônibus e chegar a tempo no trabalho, ela olha pro lado e assiste outra moça subir no ônibus. Ela parecia feliz, usava um vestido lindo e…espere, ela não tinha uma tornozeleira.

Quem era ela? Por que todos os demais ao redor tinham o acessório incômodo e aquela outra moça não?

Isso mexeu com ela. Conhecia pessoas mais velhas que poderiam esclarecer suas dúvidas e dessa vez não hesitou em perguntar. Chegou-se ao velho Sr José e perguntou o que aquela tornozeleira representava e ele, após respirar fundo, disse: ah filha… isso é a prova de sua dívida.

– Como assim dívida?

– Sim, antes mesmo de você ou eu nascermos, a dívida já estava lá.

– E como eu tenho uma dívida que não fui eu que fiz?

– Você até pode não ter feito ela, mas tem contribuído e muito para que ela permaneça ai.

– Como assim?

– Você só deve ter me procurado porque já começou a sentir os sintomas, não é?

– Sim! Como o senhor sabe? Isso parece estar me matando!

– Filha, eu tenho uma também e já fiz de tudo para tirá-la, mas não consigo. Juntei todos os meus recursos e meus esforços e não há ninguém nessa terra que seja capaz de retirá-la.

Ela sai dali mais confusa do que quando chegou.  Agora sabia que havia uma dívida e que pelo visto era grande. Começou a pensar em meios para conseguir o dinheiro necessário. Se havia uma dívida, havia um preço. Ela consultou saldos bancários, bens, possíveis heranças, possibilidades de futuras promoções no trabalho, etc. Mas toda vez que pensava em parar suas buscas, lembrava-se do Sr José dizendo: eu já fiz de tudo…

A solução então, talvez fosse encontrar novamente a moça do vestido. Passou a noite em claro pensando em estratégias para encontrá-la e por fim, fez plantão no mesmo local do outro dia. Ela precisava tentar! Aquilo tudo já a estava sufocando.

No mesmo horário do dia anterior, ela vê lá da esquina a moça subindo feliz pelo caminho de costume. Apressa-se e sem mais delongas pergunta: com licença, eu não a conheço, mas não pude evitar reparar que você não tem uma tornozeleira. Por favor, me diga, quanto você pagou para retirá-la? Disseram-me que representa uma dívida e que é praticamente impagável. Como você fez para pagar a sua?

Sorridente, ela responde: você está certa, a dívida é impagável! Eu jamais seria capaz de retirá-la daqui.

– Mas eu não estou entendendo… se você não podia pagar, como fez para tirar a tornozeleira daí?

– Eu não paguei, eu não tirei, eu sequer conseguiria colocar em palavras pra você o que a minha dívida representava, mas bem antes de mim ou de você alguém pagou a conta.

– Desculpa, mas você está me deixando mais confusa. O Sr José me disse que era impossível tirar e que eu tenho aumentado a dívida diariamente e agora você vem me dizer que alguém já pagou a dívida antes de eu saber que tinha uma?

– Exatamente!

– Moça, você não entende, isso tem me massacrado. O enroscar na minha calça é o que as pessoas veem, mas é bem pior do que isso. Eu estou morrendo! Eu preciso saber o que está acontecendo aqui.

– Você disse bem! Você precisa saber e não haveria como você saber se alguém sem a tornozeleira não te dissesse. Mas não se preocupe, eu tenho todo o tempo do mundo e faço questão de te contar. A dívida era de fato impagável. Era preciso pagar vida com vida. Era preciso que alguém sem dívidas entrasse em nosso lugar. E graças a Deus havia um. Jesus é o seu nome. E sabe, ele poderia ter escolhido não pagar nada. Ele não era obrigado, mas ele quis. Diante do fato de que apenas ele podia fazer isso, respondeu que poderiam contar com ele. E que grande e maravilhoso dia foi esse! Num único ato, a dívida de todos nós estava paga.

– Então agora eu devo pra esse cara? Pelo amor de Deus, me fala quem é. Me leve até ele! Eu preciso agradecê-lo e pedir que ele tire isso de mim.

– Não você não deve nada a ele. Ele não fez isso esperando algo em troca. Ele fez porque era a única forma de nos dar vida e rasgar em definitivo o escrito de dívida que havia contra nós.

Enquanto elas conversavam, ela não percebia que pouco a pouco a tornozeleira ficava mais frouxa e já nem tocava-lhe a pele.

– Mas e quanto aos outros? Eles precisam saber que não precisam mais viver com isso. Eles precisam saber que a liberdade está disponível. Me fala, o que nós podemos fazer?

– Sim, todos precisam saber! Mas antes, precisamos retirar a sua também. Você só me ouviu porque eu não tinha uma.

– É verdade!

– Você reconhece que se não fosse Jesus ter entrado em seu lugar e assumido sua dívida e morrido por você, você estaria condenada a morte eterna?

– Sim, reconheço.

– Você deseja viver de forma diferente do que vivia até aqui de modo que o sacrifício dele seja notório em sua vida e que nem sequer a memória da tornozeleira permaneça em ti?

– Sim, eu desejo isso mais que tudo!

– Então olhe bem para sua perna. Não há mais dívida! Está pago!

Por não saber que a dívida estava paga, ela procurava nela, todos os dias, meios para pagar. Agora, ciente da verdade, caminha livre disposta a libertar outros.

“Todavia, Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, deu-nos vida juntamente com Cristo, quando ainda estávamos mortos em transgressões — pela graça vocês são salvos. Deus nos ressuscitou com Cristo e com ele nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus, para mostrar, nas eras que hão de vir, a incomparável riqueza de sua graça, demonstrada em sua bondade para conosco em Cristo Jesus. Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie.” Efésios 2:4-9

“Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão, se não houver quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: “Como são belos os pés dos que anunciam boas novas! ” No entanto, nem todos os israelitas aceitaram as boas novas. Pois Isaías diz: “Senhor, quem creu em nossa mensagem?”Consequentemente, a fé vem por ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo.” Romanos 10:14-17

“Quando vocês estavam mortos em pecados e na incircuncisão da sua carne, Deus os vivificou juntamente com Cristo. Ele nos perdoou todas as transgressões, e cancelou a escrita de dívida, que consistia em ordenanças, e que nos era contrária. Ele a removeu, pregando-a na cruz, e, tendo despojado os poderes e as autoridades, fez deles um espetáculo público, triunfando sobre eles na cruz.” Colossenses 2:13-15

Eles precisam saber!

Está pago!

Eles precisam andar em novidade de vida e você carrega a mensagem que faz conhecida a liberdade que já foi conquistada.

Deus os abençoe!

Até terça

😉

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